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A grande obra das itinerantes

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Itinerante é palavra que vem do latim itineratem, que é particípio presente de itinerari, que significa viajar, caminhar. Logo, itinerante é um viajante que segue um itinerário, uma ordem. A palavra tem relação com iter, que significa caminho. Os latinos tinham duas palavras para caminho: iter e via. Conhecidíssima é a Via-Láctea (caminho de leite), que vemos, à noite, brilhando no céu. Depois dessa digressão, entremos no assunto.

Tenho diante de mim o "Diário" da itinerante Eulina Hassel da Costa, a quem conheci. Era membro da Igreja Batista de Aperibé que, à época, era pastoreada por meu pai, Pr. Antônio Soares Ferreira. As senhoras batistas fluminenses, desejando desenvolver seu trabalho, enviaram moças vocacionadas para doutrinar as igrejas, realizar estudos do seu Manual, EBFs, estudo do livro Como Ganhar Almas para Cristo, e outras atividades de apoio ao trabalho local. A itinerante era, pois, uma espécie de missionária em seu próprio estado.

Pelo referido Diário, que começou a ser escrito em 1941, verifico que a itinerante Eulina Hassel da Costa empreendeu um grande trabalho no Estado do Rio. Naquela época, o número de pastores era pequeno, havendo os que pastoreavam, ao mesmo tempo, duas ou três igrejas, como era o caso de meu pai.

Lendo seu Diário, revivi vários lugares que conheci na minha infância acompanhando, a cavalo, o meu pai. Um dos lugares em que Eulina trabalhou, juntamente com Maninha, sua companheira de itinerância, foi Itacolomi, no município de São Fidélis, que fica no meio de altas serras, sendo um lugar de difícil acesso, naquela época. Meu pai foi o primeiro pastor dessa igreja, que foi organizada em 3 de maio de 1940.

Eis um trecho do diário de Eulina H. Costa, escrito no dia 23 de fevereiro de 1941:

Manhã: Preparação. EBD. Balas nos saquinhos. Irmão Emerenciano (Machado) pregou. Organização da Sociedade das Crianças. Terminamos às 3h30m da tarde e ficamos na igreja. Vanda nos ofereceu o jantar. Muitas crianças. Distribuição de chapéus [creio que da EBF]. Entrada. Colocação dos bancos. Corinhos "Ajuda", "Meu coração", exercício de memória, livros da Bíblia. História: "Crucificação"

Verifico, também, que as itinerantes, além dos trabalhos já referios, ainda faziam muitas visitas a não crentes, com o fito de levá-los à igreja.

Leio no diário, no dia 24 de março de 1941, o seguinte: "Levantamos cedo. Aflição para que se preparassem os animais. Assistimos ao culto doméstico e saímos. Passamos pelo mato, arranhamos as pernas nos espinhos e, com sacrifício, chegamos à casa do irmão Dejair, no alto da serra, pois, a insistência foi tanta que não pudemos deixar de ir, pois ele dormiu onde estávamos, para poder sair cedo. Lá almoçamos e descemos a serra a pé, pois seria mais fácil do que a cavalo... Não ficamos satisfeitas com o trabalho em Sossego, porque não houve a animação de outras vezes em que lá trabalhamos. As crianças não compareceram e as senhoras estavam um pouco desanimadas. Ó Senhor, dá-nos força e fervor, mesmo nos lugares difíceis e desanimados. Tu sabes que somos fracos."

A irmã Eulina faz referência ao irmão Emerenciano Machado, que era membro da Igreja Batista de Pádua, RJ. Ele é um dos evangelistas notáveis dos primórdios do trabalho batista. O célebre pregador Erodice de Queirós, em suas mensagens, de quando em quando, fazia referências ao ardor evangelístico de Emereciano, de quem foi pastor quando morava em Pádua.

Aqui cito um episódio pitoresco ocorrido com ele há mais de 80 anos atrás, e que é narrada em meu livro História dos Batistas Fluminenses. Ele ia pregar em certo lugar. Mas, andando em trilhas, se perdeu, à noite. Como não conseguisse achar o caminho, começou a cantar: "Sou forasteiro aqui, / em terra estranha estou; / do reino lá do céu / embaixador eu sou." Repetiu várias vezes essa estrofe do hino. De repente, no meio do mato, uma janela se abriu e uma luz brilhou. Alguém veio atender ao clamor do "forasteiro". Aquele encontro com aquela família, naquela noite, resultou em frutos para o evangelho.

O trabalho batista no Brasil muito deve à consagração de itinerantes do quilate de Eulina Hassel da Costa e de evangelistas consagrados à Obra do Senhor, como Emerenciano Machado.

Ebenézer Soares Ferreira

 
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