
No final de estudo da carta de Paulo a Filemom um pergunta inquieta meu coração. Seria coincidência que no auge do ministério paulino ele estivesse preso? E aqui nem abordo a questão de batalha espiritual, do inimigo tentando calar o apóstolo, ou mesmo intimidá-lo. Estou falando de uma consciência profunda do que é liderança.
Penso que todo bom e maduro líder sabe que quanto mais líder somos, menos livre nos tornamos. Isso porque a maturidade cristã nos convida a olharmos para os fracos da fé, para os pequeninos, como bem chamava Jesus (Mateus 18.1-14).
E isso impede que façamos algo que embora a nossa consciência esteja livre e desimpedida para fazê-lo, nosso irmão ainda não tem o mesmo parecer.Paulo mesmo fala de um enfraquecimento da fé cujo nascedouro está na liderança (Romanos 14.21-23). Ora, no cerne de toda a liderança e de todo o coração do líder está o cuidado com o povo e não o escândalo do mesmo.
Se o líder, por amor e vontade não quiser se tornar “fraco para com os fracos” (1 Coríntios 9.22) ele ainda não estará apto a exercer a liderança cristã. É nessa tensão de encontro com a verdade que liberta e continua a nos libertar (João 8.32) e do desejo de servir ao próximo ao ponto de nos deixarmos “escravizar”, que nos encontramos.
Quanto mais próximos de Jesus – a liderança e a maturidade cristã nos remetem para essa proximidade contínua – mais libertos somos de resquícios farisaicos que ainda se fazem presentes na Igreja.Isso porque alguns esqueceram que Igreja não é Sinédrio. Mas quanto mais líderes nos tornamos – e isso pela Graça de Deus –, mais misericórdia temos de ter daqueles que estão iniciando sua caminhada na Fé. Somos o apoio e o referencial imediato deles, e não temos como exigir que eles tenham a mesma compreensão de fé que hoje nós temos. Isso porque o conhecimento de Deus e sobre Deus é dinâmico.
Um exemplo disso é a oração que Paulo faz aos efésios. Leia Efésios1.17-19. O que fazer? Como bem diz o pastor Wander, é preciso “descer a ladeira”. E isso é um ato de maturidade e também de amor. Eis aí um bom termômetro de sua liderança. Aqui está um medidor fiel de sua intimidade com Jesus, como líder que você é: uma consciência cada vez mais livre/liberta, e uma “postura” cada vez mais “presa”, movida por um intenso amor pelas vidas que Deus lhe confiou.
Que Deus faça com você o que fez com Paulo: mais líder e menos livre.
Pr. Sergio Dusilek









